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9 de maio de 2012

Perdemos tempo. O diabo não


Desapontado. Ou desesperado. Ou melancólico. Ou desanimado. Ou frustrado. Não sei ao certo como explicar as percepções que me incomodam. Só sei que sinto. Sinto muito. Sinto confirmar que percebo muita perda de tempo em muitas pessoas e lugares que chamamos igreja.

Faz décadas que luto para servir a Jesus o melhor que posso. Faz décadas que falho. Faz décadas que não apenas eu, muitas outras coisas falham. Reuniões. Perdi a conta do número de reuniões inúteis que já participei, mas não esqueço aquelas que se mostraram realmente produtivas e necessárias.

Perde-se muito tempo com reuniões. A cada ano, menos tempo se tem e mais reuniões se marcam. Deixemos as boas reuniões num lugar de honra, é sobre as ruins que me refiro. São ruins porque são desprovidas de foco e propósito.

São ruins porque nelas se desfilam egos hipócritas, inflados através de muita gente que só existe em função de um cargo, passado o tempo do cargo viram fumaça. Também são ruins porque em muitas dessas reuniões se zomba de nomes, sobrenomes, famílias. Também se julga com a mesma régua usada pelos fariseus. Perda de tempo, sinto calafrios quando se fala em reuniões como essas.

E o pode e não pode? Como se gasta tempo com essas discussões. Saia ou calça comprida. Cabelo curto ou crescido. Cinema ou televisão. Maiô ou biquíni. Música sacra ou música secular. A ou B. Verde ou amarelo. Seis ou meia dúzia.

Ao longo desses anos já vi famílias perderem a amizade e o respeito numa discussão sobre a terra ser redonda ou quadrada. Vi garota sserem desqualificadas por causa de um par de brinco. E não era brincadeira. Tempo ao vento, tempo desprezado, tempo perdido.

E o desfile de vaidades? Salomão que o diga, sentiu nas vestes ena pele. Temos muitos palcos e pouquíssimos altares hoje em dia. É muita luz e muita fumaça para conter o inchaço das vaidades que cantam, tocam, pregam, coreografam, dramatizam, pulam. Nestes anos tenho transitado por um lugar perigosíssimo para a manutenção da fé, os bastidores do reino. Presenciei brigas entre talentos que não ouso revelar os nomes, foram momentos que senti o cheiro podre da vaidade. Os caras da bênção no palco eram os mesmos da maldição atrás do palco. Os mesmos tipos de ciúmes e invejas assisto entre anônimos. É vaidade consumindo tempo, muito tempo.

Eugene Peterson diz que o diabo não gasta seu tempo tentando-nos a fazer algo que sabemos ser mau, ele esconde aquilo que é mau em algo bom e depois nos tenta com aquilo que é bom. Concordo. Reunião deveria ser sempre uma coisa boa, assim como as regras e o desempenho nos altares consagrados para se adorar ao Senhor e proclamar seu evangelho. No entanto, tem sido através dessas coisas boas que tenho assistido tanto mal entre o povo de Deus. O mesmo Eugene fecha seu pensamento com a seguinte afirmação: Jesus não foi tentado pelo mal evidente, mas pelo bem aparente.

Nosso tempo é precioso demais para nos auto-destruirmos com tradições ultrapassadas, costumes idolatrados, pessoas beatificadas, manias endeusadas. Já é tempo de olharmos corações e não aparências. Valorizarmos o essencial e tolerarmos mais as pequenas falhas, as ingênuas atitudes, as pequenas esperanças. Tem muita gente se perdendo num mundo sem Deus para ficarmos perdendo tempo na igreja de Deus.

O diabo não perde tempo. Não vamos dar ainda mais tempo para ele. Amar e perdoar são gestos poderosos que podem mudar oritmo de cada rotina. Sua vida é dada por Deus, seu tempo é dom de Deus.

 Gaste-o com inteligência. Redefina suas ações agora, enquanto ainda há tempo.

Fonte: Guiame, Por Edmilson Mendes

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